Como a pirataria prejudica a indústria de jogos brasileiros?

A indústria brasileira de jogos vem crescendo bastante nos últimos anos, sobretudo a de jogos para dispositivos móveis como tablets e celulares. Entretanto outra característica do nosso mercado, bastante negativa, é a pirataria. Desde cópias piratas de jogos distribuídos em mídia física à versões “crackeadas” de jogos distribuídos digitalmente, o consumidor brasileiro tem sempre buscado uma maneira de fugir dos altíssimos preços praticados no Brasil. O problema é que a pirataria só agrava o problema dos preços.

A pirataria aumenta o custo e o risco de desenvolver jogos na região. Em um mercado onde há muita pirataria, como o Brasil, o risco de ter o seu jogo pirateado deve ser sempre levado em conta. O mercado de jogos, por si, já é um mercado de alto risco onde o investimento no desenvolvimento e marketing de um produto muitas vezes não dá o retorno esperado. Se há a possibilidade do seu jogo ser pirateado e baixado de graça, este risco se torna ainda maior, o que acarreta uma série de consequências desagradáveis tanto para desenvolvedores como para jogadores:

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1. Aumenta o preço final dos jogos
Para compensar a possibilidade de que boa parte (para não dizer a maior parte) das cópias do jogo serão pirateadas e cobrir o prejuízo, os desenvolvedores precisarão cobrar mais caros dos jogadores legítimos que pretendem pagar pelo jogo. Isso prejudica o jogador que terá de pagar cada vez mais caro pelo produto, e também o desenvolvedor, pois quanto mais alto o preço dos jogos mais incentivo existe para a pirataria, o que gera um ciclo vicioso. Com muita pirataria, preços altos e vendas baixas, o Brasil também passa a ser um mercado menos interessante para desenvolvedores ou até mesmo investidores estrangeiros, o que significa que os desenvolvedores terão de investir o próprio dinheiro ou buscar fontes alternativas de financiamento.

2. Diminui a quantidade e a qualidade dos jogos
Como vimos no ponto anterior, a pirataria aumenta os preços dos jogos sem representar um aumento significativo nos lucros dos desenvolvedores. Isto significa que não vale a pena desenvolver mais jogos a menos que haja certeza de que as poucas unidades que serão vendidas antes da versão pirata inundar o mercado serão suficientes para cobrir o custo do desenvolvimento e gerar lucro. Ou seja, há menos incentivo para produzir jogos e melhores, pois para evitar um fracasso de vendas os desenvolvedores arriscarão pouco e optarão por desenvolver jogos menos inovadores, com fórmulas e temas batidos.

3. Mata os pequenos desenvolvedores locais
Apesar das grandes desenvolvedoras conseguirem reduzir os efeitos da pirataria usando sistemas anti-pirataria, subindo o preço do valor unitário do jogo ou simplesmente evitando mercados de alto risco, os pequenos desenvolvedores locais não tem a mesma sorte. A pirataria representa um risco muito maior para os pequenos desenvolvedores que, muitas vezes, investem dinheiro do próprio bolso nos seus jogos. Um jogo pirateado, para um pequeno desenvolvedor, pode significar a sua falência e saída definitiva do negócio, o que deixa a indústria concentrada cada vez mais nas mãos de grandes desenvolvedoras estrangeiras. Assim, o consumidor de jogos precisará recorrer sempre a um produto “importado” e pagar um alto preço por isso.

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